quarta-feira, 24 de outubro de 2012

30 jogadores


Ok. Começando minha lista de 30 melhores... Vou começar pelos 30 jogadores de futebol mais marcantes que vi jogar. Não estão em ordem alguma, apenas dos que vieram primeiramente a minha cabeça.Lembrando que são aqueles que eu acompanhei parte significativa da carreira.


1.       Ronaldo Fenômeno – pelo que fez na Copa de 2002;
2.       Romário – O cara da Copa de 94;
3.       Edmundo – Como palmeirense, é impossível não citá-lo. Especialmente 93/94 no Verdão e a melhor temporada que eu já vi um jogador fazer, em 97, pelo Vasco;
4.       Marcos – Simplesmente Ele. Maior ídolo da história do Palmeiras;
5.       Rogério Ceni – Não dá pra negar o tamanho dele na história do futebol;
6.       Zinedine Zidane – Fez o gol mais bonito que vi na vida, e ainda destruiu o Brasil na Copa de 2006;
7.       Didier Drogba – Um dos maiores atacantes dos anos 2000, e um dos maiores da história do Chelsea;
8.       Frank Lampard – O Homem de Ferro do Chelsea. Centenas de partidas seguidas, sem substituição, além de um atleta completo;
9.       John Terry – Líder nato. Admirável um jogador que passou a vida inteira no mesmo clube;
10.   Petr Cech – O Goleiro do Chelsea, em sua era mais vitoriosa;


11.   Cristiano Ronaldo – Jogador completo. Cabeceio, chutes, faltas e cruzamentos com as duas pernas, velocidade, força física. Só tem um defeito;
12.   Lionel Messi – Único defeito do Cristiano Ronaldo. Faz tudo que ele faz, ainda melhor;
13.   Xavi Hernandez – O cérebro do Barcelona de Guardiola. Precisa de mais?;
14.   Alex – O que ele fez pelo Palmeiras em 99 e pelo Cruzeiro em 2003?!?! Jogador que mais fez falta a uma Copa do Mundo;
15.   Neymar – 20 anos, e já ganhou quase tudo que um jogador pode ganhar. E, jogando no Brasil, fez o gol mais bonito do ano passado, e ainda foi indicado entre os 50 melhores do mundo;




16.   Steven Gerrard – Líder do Liverpool, na espetacular final de Istambul. Outro daqueles que nunca trocou de clube;
17.   Roberto Carlos – Provavelmente um dos 3 maiores laterais esquerdos da história. E titular do Real Madrid por mais de 10 anos. Ganhou quase tudo que disputou;
18.   Cafu – O mesmo que o Roberto Carlos, mas pela direita. E ele sim, ganhou Tudo que disputou, pelo menos uma vez;
19.   Ronaldinho Gaúcho – Ser aplaudido de pé no Santiago Bernabéu, depois de marcar um gol contra o Real Madrid é pra poucos.
20.   Andrés Iniesta – Além de um craque, ainda fez o gol do título da Copa da Espanha;
21.   Diego Lugano – Zagueiraço. Líder da Seleção do Uruguai;
22.   Juan Roman Riquelme – Ídolo máximo do Boca Juniors
23.   Thierry Henry – Maior artilheiro da história do Arsenal. E foi o líder do time na campanha invicta na Premiere LEague;
24.   Kaká – Ensinou o mundo a jogar futebol em 2007;
25.   Giggs – O jogador com mais partidas pelo Manchester United. Passa vários jogos sem errar um passe.


26.   Andreas Pirlo – O Maestro da Itália na Copa de 2006;
27.   Buffon – Um dos maiores goleiros da atualidade. Também fundamental no tetra Italiano;
28.   Van Der Sar – um dos maiores goleiros que eu já vi. Se aposentou aos 41 anos, jogando muito;
29.   PH Ganso – Ainda tenho esperanças de que o que ele mostrou ao mundo em 2010 não foi coisa passageira;
30.   Dennis Bergkamp – Fez um dos gols mais bonitos da história das Copas. E ainda foi contra a Argentina.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Intocáveis

INTOCÁVES



David Arrais

                É sempre perigoso assistir a um filme depois de muito tempo da sua estreia. Eu não consigo deixar de criar expectativas, boas ou ruins, dependendo dos rumores. O pior é quando as boas expectativas não são alcançadas, mesmo com um bom resultado final, como aconteceu em Intocáveis.

                Escrito e dirigido por Olivier Nakache e Eric Toledano, Intocáveis conta a história de Phillipe (François Cluzet), um milionário francês que ficou tetraplégico depois de um acidente de parapente, e Driss (Omar Sy), um jovem negro, descendente de africanos, que, se torna seu acompanhante/enfermeiro.

                Cluzet e Sy mostram uma química perfeita, criando uma dinâmica interessante entre os protagonistas. A amizade entre eles é contruída gradualmente, de forma orgânica, sem apelar para melodramas, que não caberiam na atmosfera do longa. Infelizmente, a construção dessa amizade acaba sendo prejudicada pelo início da projeção, pois ao fim da primeira cena (um pequeno flash-foward com uma inusitada travessia de carro pelas ruas de Paris), já sabemos da cumplicidade que existe entre os dois, então, o filme parece nos contar uma história que já sabemos como termina.

                A história é recheada de cenas tocantes, como o aniversário de Philipe, em que Driss promove um show de dança à parte, ou o seu cuidado, na cena em que oferece um remédio “pouco ortodoxo” para aliviar a dor do amigo ou ao se recusar a levá-lo no porta-malas de uma mini-van, “como uma mala”.

E mesmo não se tratando de uma comédia, existem ainda cenas divertidíssimas, como a já citada cena inicial, o momento emq eu Driss “testa” a sensibilidade do chefe, ou as piadas politicamente incorretas que eles trocam durante todo o longa, como “Onde você encontra um tetraplégico? – No mesmo lugar onde deixou”.  

Apesar de, no modo geral, tratar-se de uma obra bem realizada, o roteiro possui alguns problemas, como focar exclusivamente em Driss e Phillipe, deixando de lado alguns personagens potencialmente interessantes, como a mãe de Driss, ou a governanta ou a secretária de Phillipe. E também ao ignorar solenemente personagens que nunca dizem a que vieram, como a filha de Phillipe e seu namorado.

          Desde o início a Fotografia trabalha acertadamente com a Direção de Arte para ilustrar a diferença que existe nos mundos dos protagonistas. A vida de Driss é sempre mostrada com cores frias, escuras, ambientes claustrofóbicos. Já a vida de Phillipe, apesar de sua deficiência, é vista com cores quentes, iluminada (especialmente com luz natural), e a casa com ambientes amplos e bem cuidados. O momento em que esse contraste torna-se mais evidente é na hora do banho de Driss. Quando em casa, ele toma banho com várias crianças entrando e saindo do banheiro, em uma banheira minúscula, que mal comporta seu corpo. Na casa de Phillipe, seu banheiro é quase do tamanho do apartamento de sua mãe.

           Ao final, me senti tocado pela bela história que acabei de conhecer. Mas não pela forma que ela foi contada, pois não pude deixar de ter a impressão de já “ter visto isso antes” em outros filmes, ainda melhores, como Rain Man ou Tempo de Despertar.    

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Looper

LOOPER






David Arrais 

          Escrito e dirigido por Rian Johnson, Looper conta uma história ambientada em 2044, quando grande parte da população possui poderes de telecinese e a viagem no tempo, é algo real. Porém, além de ilegal, ela só será realidade no ano de 2074. Nesta época, mafiosos, liderados pelo misterioso Rainmaker, utilizam a viagem para se livrar de inimigos, enviando-os para o passado, onde assassinos (Loopers) estão à espera, em locais pré-determinados, para executá-lo. Para que o plano seja perfeito, depois de 30 anos o próprio looper é enviado ao passado para ser executado por ele mesmo quando jovem.

          O conceito de viagem no tempo, por conta de seus paradoxos, é sempre complexo. Por conta disso, toda a trama é explicada em um pequeno prólogo narrado por Joe (Joseph Gordon-Levitt). Pouco depois somos apresentados a Seth (Paul Dano), outro looper, que também é o melhor amigo de Joe. Tudo começa a dar errado quando a versão do futuro de Joe (Bruce Willis) decide não cumprir o combinado, além de fugir do Joe jovem, planeja modificar o futuro alterando momentos fundamentais no presente.

          Depois que passam a conviver, o velho Joe explica suas motivações ao jovem, que, tenta, em vão, impedir que ele fuja para tentar cumprir seus objetivos. Depois disso, ao ser perseguido pelos demais loopers, o jovem acaba indo parar na fazenda de Sara (Emily Blunt), que vive com seu filho Cid (Pierce Gagnon).

          Pela complexidade do tema, o roteiro acaba tendo que apelar para algumas passagens expositivas, como as consequências de um looper desistir do contrato, ou de haver dois loopers de diferentes eras coexistindo, como em uma explicação bastante razoável em um diálogo entre Abe (Jeff Daniels) e Kid Blue (NoahSegan) “Não tente entender as consequências. Vai fritar seus miolos!”

          O filme conta com sequências de ação excepcionais, com efeitos visuais sempre bem realizados. Merecem destaque a cena no interior da casa de Sara, no terceiro ato, a invasão do esconderijo dos mafiosos e a sequência final, na plantação de cana.

          O roteiro também conta com diálogos preciosos, como quando um personagem avisa “Mude para a China. Confie em mim, eu vim do futuro”, ou toda a cena entre o velho e jovem Joe na lanchonete. Infelizmente ele cai um pouco ao explorar a característica singular de Cid, especialmente no terceiro ato, fugindo um pouco do tema principal.

          As atuações são bastante convincentes. Joe é um personagem complexo, consciente que a vida que leva tem um tempo pré-definido de duração, que acaba tornando-o amargo, frio, vicidado em drogas, sempre evitando maior proximidade com qualquer pessoa, exceto a prostituta Suzie (Piper Perabo), porém todas as suas investidas são em vão.

          Bruce Willis e Joseph Gordon-Levitt funcionam muito bem juntos. Willis abusa, no bom sentido, de todos os trejeitos que lhe transformaram em astro de ação, protagonizando também um grande momento, ao ficar profundamente afetado por um ato terrível que acaba de cometer.

          Já Levitt faz uma excelente interpretação de Bruce Willis jovem, com todos os seus maneirismos, como a voz rouca e o sorriso de canto de boca, auxiliado pelos efeitos visuais e de maquiagem que colaboraram nas semelhanças físicas, como o nariz, olhos e boca.

          A reaparição de Jeff Daniels em blockbusters é uma grata surpresa, como o enviado do Rainmaker para “manter a ordem” no tempo presente. Noah Segan interpreta um looper incompetente, sempre tentando agradar Abe acima de qualquer outra coisa. Garret Dilahunt tem uma participação rápida, porém em uma passagem fundamental. Qing Xu também aparece pouco, como a esposa de Joe no futuro.

          No entanto, Emily Blunt é quem mais merece destaque. Sara é uma mulher forte, decidida, e ao mesmo tempo frágil e solitária, o que lhe confere grande profundidade. Vivendo uma convivência conflituosa com seu filho Cid, é perceptível a sua confusão por não saber lidar com os problemas dele.

          Tecnicamente o filme é impecável. A construção das cidades no futuro é impressionante, mostrando um possível (ou provável) destino das cidades americanas diante da deterioração da sociedade e de seus valores, fazendo um contraponto com o desenvolvimento exibido em Xangai.

          A direção de arte chama a atenção também em ambientes internos como o apartamento do jovem Joe, ou a casa chinesa que ele possui no futuro. Outro aspecto em que ela é bastante eficaz é em relação aos equipamentos, como as armas e veículos, em especial a moto voadora.

          A montagem também tem papel fundamental, sempre mantendo o ritmo alto, sem tornar mais confuso que o necessário, ao mesmo tempo em que “brinca” em alguns momentos com as alterações causadas pelas alterações no espaço-tempo.

          É sempre gratificante quando um filme que tinha tudo para ser um blockbuster de ação nos surpreende com um ótimo roteiro e grandes atuações. E Looper é mais uma prova de que é possível unir esses elementos e realizar uma obra de entretenimento de alta qualidade.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cosmópolis

    COSMÓPOLIS





David Arrais 
  
Escrito e dirigido por David Cronenberg, a partir do livro homônimo escrito por Don DeLillo, Cosmópolis conta a história de um dia na vida de Eric Parker (Robert Pattinson), um jovem bilionário que decide, aparentemente por capricho, cortar o cabelo na barbearia de um velho conhecido, que fica do outro lado de Manhattan. Porém, neste mesmo dia, está havendo uma enorme manifestação contra o capitalismo, e, por conta da visita do presidente americano à cidade, invariavelmente ele terá que passar pela zona de protestos. E, durante sua jornada, ainda tem que lidar com o fato de que, por um investimento errado, está perdendo toda a sua fortuna durante essa travessia e seu grupo de segurança particular descobre que existe alguém com a intenção de matá-lo.

Por conta da iniciativa de atravessar a cidade em um dia tumultuado, ele acaba tendo que realizar toda a sua rotina dentro de sua limusine. Entre suas atividades habituais estão reuniões com sócios e funcionários da empresa, encontros sexuais com prostitutas, com sua esposa e check ups médicos. 

Desde o início é possível perceber que Eric é uma pessoa extremamente dominadora, consciente do poder que possui e respeito que impõe por sua condição financeira. E também é alguém que não parece ter a menor preocupação em disfarçar o desprezo que sente pelas pessoas ao seu redor. Sem nunca permitir sequer que outra pessoa tome controle sequer de uma conversa, sempre muda de assunto, ou reverte o sentido dos diálogos quando percebe que pode ser colocado em situações fora de sua zona de conforto. Um dos momentos que melhor ilustram essa situação é a conversa entre ele e Shiner (Jay Baruchel), seu parceiro de negócios, ainda no início do filme. 

Boa parte do filme se passa dentro da limusine, que funciona como uma metáfora (nada sutil) do isolamento que Eric procura manter do resto do mundo.  Ela é totalmente equipada, possuindo conexão a internet em alta velocidade, sofisticados computadores touch screen, monitores de tv em alta definição e até mesmo um vaso sanitário, que fica escondido sob o banco. Uma vez lá dentro, ele parece esquecer completamente do que está ocorrendo em seu exterior. Mesmo quando está sendo atacado durante o protesto, ele permanece inerte, como se nada estivesse acontecendo.

Portanto, é curioso perceber que, sempre que deixa o carro, Eric se mostra um pouco mais espontâneo, mostrando-se até mesmo confuso por essa dualidade. Ao mesmo tempo que está desconfortável, ele gosta de sair de se arriscar. Como ele mesmo fala várias vezes "Detesto quando tenho que ser sensato".

Por se passar quase sempre no mesmo ambiente, o filme é quase que completamente baseado nas atuações e nos diálogos. E o desfile de grande atores é fenomenal. Juliette Binoche, como Didi Fancher, a amante "preferida" de Eric, Mihcael Chin (Phillip Nozuka), um de seus jovens "conselheiros". Curiosamente, uma das melhores cenas ocorre fora do carro. Numa perturbadora sequência de sexo, quase sem cortes, com Kendra Hays(Patricia Mckenzie), sua amante e esposa de Torval (Kevin Durand), seu chefe de segurança. 

Robert Pattinson se sai muito bem como o protagonista Eric. Não chega a atingir o brilhantismo que David Cronenberg extraiu de Viggo Mortensen, porém não faz feio de forma alguma. A desconstrução de um jovem seguro a um homem perturbado é extremamente convincente. Ele consegue criar um personagem profundo, com várias camadas, que vão sendo apresentadas aos poucos, de acordo com os acontecimentos  do dia.

Outro elemento que mostra a queda de Eric é a fotografia, juntamente com direção de arte. Nas primeiras cenas dentro do carro ela é estourada, com cores frias em exagero, chegando a soar falsa, assim como aquela fachada apresentada por Eric. A construção do ambiente da limusine, asséptico, claro e organizado, também contrasta com o ambiente em que ocorre a sequência final: imundo, sombrio, completamente bagunçado, assim como a mente do protagonista.

Infelizmente, o roteiro, apesar da trama linear, é bastante irregular, alternando momentos simples e diretos, como quando Eric é informado da morte de um amigo, e momentos com diálogos extremamente confusos, chegando a soarem demasiadamente pretensiosos, como aqueles travados na barbearia, ou no momento com Samantha Morton, ainda no interior do veículo. Não fosse por essas alternâncias, Cronenberg poderia ter realizado uma pequena obra-prima.
    
SPOILER - SPOILER - SPOILER - SPOILER - SPOILER - SPOILER SPOILER!

ATENÇÃO: NÃO LEIA O PRÓXIMO PARÁGRAFO ANTES DE ASSISTIR AO FILME!

Não poderia encerrar essa crítica sem citar a participação colossal de Paul Giamatti. Presente apenas na cena final, ele surge como um indivíduo simultaneamente grotesco, inseguro, violento, confuso, perigoso... Toda essa esse conjunto de características nos leva a crer que Eric está confrontando uma possível versão sua no futuro, em que todos os atos irresponsáveis que ele tomou neste dia acabaram por transformá-lo. O duelo de interpretações atinge seu ápice quando eles começam a trocar frases praticamente iguais, tanto em teor quanto em palavras e a sua construção. A cena é desenvolvida brilhantemente por Cronenberg, de forma quase sequencial, até o momento em que Benno revela possuir o mesmo problema na próstata que Eric, e é encerrada no momento certo, fazendo com que o expectador saia com seus neurônios (aqueles poucos que sobreviveram a toda a projeção) fervendo!  


     

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

TED


Ted





David Arrais


Ted conta a história de um ursinho de pelúcia dado de presente ao solitário menino John, que, por conta do pedido de natal de seu novo dono (a segunda coisa mais poderosa do mundo), ganha vida, e passa a ser o seu melhor amigo por toda a vida. No entanto, essa amizade gera problemas para ele (Mark Whalberg), durante sua vida adulta.

Partindo de uma premissa relativamente simples, o roteiro nos leva por todo o crescimento dos dois, passando pelas agruras da adolescência, até chegar à vida adulta. Neste pequeno prólogo, narrado pela voz marcante de Patrick Stewart, também é explicada a razão pela qual todos no mundo conseguem conviver normalmente com um bicho de pelúcia que age como um ser humano.

Quando adultos, Ted e John moram com Lori (Mila Kunis), namorada de John há quatro anos, que apesar de respeitar e, até certo ponto admirar, a amizade de seu namorado e seu bichinho, não se conforma que um homem de 35 anos tenha como passatempo preferido fumar maconha, beber cerveja e assistir Flash Gordon. E ainda tenha medo de trovões.

Mark Whalberg está extremamente convincente saindo de sua zona de conforto de interpretação. Sua performance como um adulto com mente de criança, que acha que sempre existe espaço para piadas flatulentas, ou que assistir tv é razão suficiente para faltar ao trabalho, é elogiável.

Mila Kunis tem um desempenho igualmente competente. Lori é uma mulher relativamente bem sucedida no trabalho, que sempre consegue se desvencilhar com desenvoltura dos assédios nada sutis de seu chefe Rex (John McHale, da série Community) e que sempre tenta contornar a imaturidade, ou o fato de não conseguir arrumar um emprego melhor, de seu companheiro.

Contudo, o grande astro do filme é mesmo o seu personagem-título. Dublado por Seth Mcfarlane, ele é o veículo perfeito para a proliferação de piadas racistas, preconceituosas, machistas e de todo tipo de cunho politicamente incorretos, tão comuns na carreira de seu criador. Excepcionalmente bem construído em CGI, Ted mostra ser como seu grande amigo: Um adulto com comportamentos infantis (e que compartilha do medo de trovões).

O grande segredo do filme reside na ótima dinâmica entre o casal protagonista e Ted. Todo o esforço de criação de roteiro, atuações e efeitos especiais seriam em vão, caso não acreditássemos ser possível aquela interação. Os constantes confrontos (muitas vezes até hilários, como a genial sequência de “luta”) entre os três são extremamente ricos e verossímeis.  

Os arcos dramáticos dos personagens são extremamente bem conduzidos, mostrando todas as fases daquelas relações, seus desgastes, com momentos definidores das ações dos personagens, como a festa que acontece no apartamento de Ted que é um dos momentos mais divertidos, especialmente pelo seu convidado especial. Tudo que acontece durante a projeção tem sua razão de ser.

Os personagens secundários são fundamentais para o desenvolvimento da trama. John McHale exercita sua veia cômica como Rex, o chefe inconveniente e narcisista que tenta conquistar Lori todos os dias, sem exagerar na caracterização de seu personagem. Na direção oposta, porém igualmente engraçado, Giovanni Ribisi deita e rola (literalmente) como o pai, obcecado por Ted desde criança, de um menino mimado (que é vítima de uma das melhores tiradas do urso, por sua forma física). Sam J. Jones, como ele mesmo, tem a melhor de todas as participações.

Mesmo tendo participações menores, quase como pontas, também são dignos de nota: Jessica Barth como Tami-Lynn, a namorada improvável de Ted, Matt Walsh que interpreta Thomas, o estúpido, porém compreensivo, chefe de John. Norah Jones aparece de forma surpreendente, como ela mesma, porém como um antigo affair de Ted. Ryan Reynolds e Patrick Warburton também surpreendem, numa das melhores cenas do filme.

Apesar de se tratar de uma comédia, Ted também funciona em seus momentos dramáticos, como nas crises do relacionamento entre John e Lori, (em que os atores surpreendem com suas atuações) e no momento mais difícil da amizade dele com Ted, já no terceiro ato.

A trilha sonora, apesar de não ser marcante, cumpre bem seu papel, além de lembrar bastante alguns temas do seriado mais famoso de McFarlane. E possui uma "música incidental" que será facilmente reconhecida pelos fãs.
         
           Finalizando, os fãs de Seth McFarlane, genial criador dos seriados Family Guy, Cleveland Show (spin off do primeiro) e American Dad, podem ficar felizes e tranquilos. Seu humor ácido e politicamente incorreto, em sua primeira incursão em liveaction, é capaz de se sustentar com a mesma qualidade e inteligência dos programas da TV num longa metragem de duas horas de duração.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Os Mercenários 2


OS MERCENÁRIOS 2
David Arrais


Testosterona e virilidade na veia! Sylvester Stallone e sua trupe voltam, com reforços, nesta nova aventura, agora em busca de vingança pelo assassinato de um companheiro. Dirigido por Simon West, a partir do roteiro de Richard Wenk e do próprio Stallone, Os Mercenários 2 não perde tempo para apresentar pesonagens, nos jogando diretamente na ação. 

Depois de resgatar um antigo rival (dentro e fora das telas), Barney Ross (Stallone) é contactado novamente pelo Sr. Church (Bruce Willis) para uma nova missão: recuperar um cofre nos destroços de um avião. Para isso, ele terá que levar consigo, muito a contragosto, a jovem Maggie (Nan Yu). Depois de realizada a missão, um de seus companheiros é assassinado pelo cruel Villain e o objeto de sua missão é roubado. A partir daí, ao invés de voltar a cumprir ordens, o grupo parte em busca de vingança.

Vamos do começo. Ninguém vai assistir a um filme com Sylvester Stallone, Dolph Lundgreen, Jason Statham, Arnold Schwarzenegger, Bruce Willis, Randy Couture, Tracy Crews, Jet Li e Jean-Claude Van Damme esperando grandes interpretações ou roteiros mirabolantes, certo? A partir daí, é possível analisar Os Mercenários 2. E funciona. Como funciona!

Desde o início, todas as leis da física e da lógica são destruídas com a mesma facilidade com que os inimigos são fuzilados, cortados, golpeados, esfaqueados e explodidos. Com uma montagem dinâmica em uma longa sequência, acompanhamos o resgate improvável, e somos apresentados ao novo membro do grupo, Billy the Kid (Liam Hemsworth), um jovem atirador de elite, que deixou o exército para seguir na vida “profissional”. A propósito, o monólogo em que ele explica suas razões para deixar o exército é digno de nota.

Contando com um roteiro simples, o filme aposta bem mais nos personagens, suas interações, a fidelidade dentro do grupo, assim como nas personas de seus protagonistas, como quando o currículo acadêmico de Lundgren é citado, ou em diálogos inspirados como “Eu vou exterminar você”, “Eles são muito imaturos”, “Eu trabalho melhor sozinho. Sou um Lobo Solitário”,  “Yippee-ki-yay   e “I’ll be back” e alguns "Chuck Norris Facts". Dessa forma, o espírito da obra é respeitado até o final.

A dinâmica entre os personagens nunca é falha (dentro de suas limitações visíveis de interpretação), mostrando que existe bastante química entre os atores, especialmente entre Statham e Stallone, que são os líderes do grupo. O único que tem uma participação um pouco menor, em relação aos demais companheiros, é Toll Road (Randy Couture), servindo quase sempre apenas como vítima das piadas de seus companheiros, principalmente Gunnar (Lundgren).
            
            As cenas de ação são grandiosas, porém, o que sobra em  balas e explosões, falta, na mesma proporção em criatividade, pois não há uma “grande cena”, com algo realmente novo. Há também algumas falhas grotescas nos efeitos visuais, algo imperdoável em produções dessa natureza. 

Já as cenas de luta, com ação mano a mano, são bastante criativas e divertidas, como a briga no bar, na igreja e no hangar (todas essas protagonizadas por Statham), uma sequência em que Jet Li usa panelas como armas, ou a grande luta final, em que Stallone e Van Damme se enfrentam, usando o repertório de golpes que os transformou em astros.
            
            Funcionando como uma grande homenagem aos filmes de ação dos anos 80, os momentos máximos de catarse são aqueles em que os três maiores astros daquela geração dividem a tela: Willis, Stallone  e Schwarzenegger. O que deve trazer à cabeça dos produtores daquela época: Como nunca fizemos isso antes?

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O DITADOR


O DITADOR




David Arrais

         O Ditador, conta a história de Aladeen (Sacha Baron Cohen), que tem como um de seus hobbies mandar executar funcionários está sendo acusado pela ONU de desrespeitar os direitos humanos (“o que é isso?”) e de estar enriquecendo urânio para a fabricação de armas nucleares, algo engado por ele em um convincente discurso popular, da sacada de seu gigantesco e narcisista palácio.

Diante das acusações, ele é orientado por seu tio e conselheiro Tamir (Ben Kingsley) a discursar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Depois de ser enganado por pessoas de seu imenso séquito, ele acaba sendo salvo por Zoey (Anna Faris), uma ativista feminista vegetariana que luta por todas as causas que envolvem minorias.
          
          A partir daí, a história segue um tortuoso caminho até o seu rápido final. Apesar de ter uma trama interessante, que nos instiga a querer saber como Aladeen conseguirá seus objetivos, o roteiro mostra-se falho, na medida em que os momentos cômicos são meramente jogados na tela, sem muita conexão entre si, com uma quantidade excessiva de cortes.

Diferentemente de Brüno e Borat, aqui as gags são encenadas, deixando de lado o formato de mockumentary (documentário fictício), diminuindo o impacto de algumas delas, como o momento em que Aladeen agride alguns clientes na loja de Zoey.

Outro grande defeito do filme foi a sua campanha de marketing. Como ultimamente acontece com a maioria das comédias, algumas das passagens mais engraçadas foram exibidas a exaustão nos trailers, que vem aparecendo nos cinemas desde o começo de 2012, o que acabou por enfraquecê-las.

A participação de Anna Faris também é contestável. Famosa pela franquia “Todo Mundo em Pânico”, sua performance é mais uma vez caricatural ao extremo, com sua voz constantemente histérica e os olhos arregalados, ultrapassando o estereótipo de sua personagem. Curiosamente, suas aparições sempre melhoram quando ele adota uma interpretação mais contida.

Porém, nem tudo são problemas em O Ditador. A participação de John C. Reilly, como o segurança particular do general em solo americano é divertidíssima, como na passagem em que Aladeem o ensina como utilizar alguns instrumentos de tortura. Bobby Lee está engraçadíssimo como o Sr. Lao, representante do governo chinês que tem um curioso fetiche por celebridades.

Ben Kingsley exibe a competência habitual, apesar de em alguns momentos parecer tão constrangido e desconfortável quanto seu personagem ao ter que se submeter aos caprichos do sobrinho “Líder Supremo”.

Impossível deixar de destacar a participação de Jason Mantzoukas como Nadal, o cientista que se torna companheiro de Aladeen durante sua estadia nos EUA, e que possui uma química fantástica com Sacha, sempre engrandecendo a produção quando aparecem juntos.

Também são dignas de nota as aparições de Megan Fox e Edward Norton, que participam de duas das mais divertidas sequências do filme.

Como não poderia deixar de ser, a grande estrela é Sacha. Mostrando mais uma vez seu incrível talento como ator, ele nos entrega um personagem quase tão cativante quanto Borat. Apostando mais no humor criado a partir dos diálogos e reações de seu peronagem, como no momento em que anda de moto com Zoey, ele procura fugir um pouco do humor físico, ainda que ele esteja presente, como numa escatológica cena envolvendo uma mulher em trabalho de parto e um celular. Contudo, o auge de sua performance é o momento em que Aladeen faz uma descoberta que promete “mudar sua vida”.

Convencido por sua própria propaganda, o grande Almirante–General está sempre convicto de sua superioridade e de suas qualidades, mesmo quando está fora de seus domínios. Ele também sempre faz questão de exibir seus talentos exercitados durante a sua “carreira” como “opressor supremo”.

Concluindo com um discurso digno de aplausos, ao comparar os males da democracia com os benefícios da ditadura, Sacha Baron Cohen consegue mais uma vez achincalhar a sociedade e cultura supérflua e consumista norte-americana, virando as costas para o politicamente correto, garantindo com isso, ótimas risadas.