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domingo, 18 de outubro de 2009

Sinal dos tempos

Será que finalmente o bom senso se abateu sobre o todo poderoso presidente da CBF, ou trata-se apenas uma manobra para demonstração de poder? Espero que seja algo além de bravatas e mais bravatas...

Do blog do Juca Kfouri, de novo, no UOL.

Viva! Quem diria?

No "ESTADÃO" deste sábado

CBF quer mudar horário de jogos

Ricardo Teixeira afirma que pretende iniciar partidas às 20 horas na Série A de 2010
Almir Leite, Sílvio Barsetti, RIO
Com o prestígio em alta, trânsito livre no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional, cortejado por ministros, governadores e prefeitos, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira, está disposto a enfrentar uma de suas maiores aliadas nos últimos anos, a TV Globo. Em entrevista na sede da CBF, na quinta-feira, o dirigente deixou clara a intenção de antecipar para as 20 horas o início de jogos de meio de semana do Brasileiro de 2010.

Atualmente, em geral, partidas de maior importância começam às 21h50, nas quartas-feiras, para agradar à emissora. Teixeira vai além e propõe que eventual mudança no calendário seja analisada de forma "séria e detalhada". Ele se diz favorável à adaptação ao calendário europeu e defende o sistema de pontos corridos, desde 2003 usado no torneio nacional.

"Como presidente da CBF não posso só ficar preocupado com índice (de audiência) de TV. Tenho de ficar preocupado com o torcedor no estádio também. Não adianta fazer jogo com estádio vazio", disse Teixeira, presidente da entidade desde 1989 e que, portanto, teve 20 anos para fazer mudanças.

A relação da CBF com a emissora vive momento de crise. Ambos os lados negociam a renovação do contrato para a transmissão dos jogos da seleção e uma das hipóteses que o Estado apurou é a de que a CBF faça acordos pontuais - por exemplo, um jogo por vez. A Rede Globo, por meio de sua assessoria, informou que vai seguir a decisão da CBF. A emissora também se limitou a adiantar que estudará a sugestão de adaptação do futebol local ao calendário europeu.

Na entrevista, também concedida aos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, Teixeira abordou vários temas, muitos relacionados a Dunga e aos Mundiais de 2010 e 2014. E foi enfático ao dizer que pode substituir cidade que não cumprir o estabelecido com a Fifa no momento de escolha para ser uma das 12 sedes da Copa de 2014.

"Não adianta discutir por etapa. Quer discutir, vamos discutir calendário, implementação do calendário europeu, vamos analisar o horário dos jogos. Estamos fazendo testes na Série B, com excelentes resultados. Quem sabe a gente não modifica o horário dos jogos? Pelo menos no meio de semana tem de ser estudado. Se vamos discutir, vamos discutir o todo. Os argumentos que usam contra os pontos corridos, dou 80 mil argumentos a favor. Estamos com 290 jogos, público médio de 17 mil pessoas - isso é média de Campeonato Francês -, com tendência de crescer mais ainda. Como presidente da CBF não posso só ficar preocupado com índice de TV. Tenho de ficar preocupado com o torcedor no estádio também. Não adianta fazer jogo para estádio vazio (Mas quem paga a conta não é a TV?, o presidente é indagado). Há um exagero. Não se pode dizer que Nike, Ambev, Vivo e Gillette pagam a conta da CBF. Não pagam. Elas trocam com a CBF. A CBF entrega a elas uma seleção brasileira vencedora para associar a marca deles, e eles nos pagam por isso. Isso é um negócio, é uma troca ..."

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Pontos corridos X Mata-mata

Do blog do Juca Kfouri
Eu também assino embaixo...

Assino embaixo

Mudança vai gerar retrocesso
HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Se aprovada a mudança de regulamento do Campeonato Brasileiro de pontos corridos para a volta do sistema com "mata-mata", o nosso futebol estará dando um gigantesco passo para trás. Não tenho dúvida de que a mudança no Nacional vai terminar com qualquer esperança de que os nossos clubes possam finalmente ter um mínimo de organização, ser viáveis economicamente e se planejar durante uma temporada.

Só interessa a mudança para clubes que sempre mascararam seus resultados por campeonatos com regulamentos absurdos que nem sempre premiaram as melhores equipes. Acho que já escrevi isso aqui neste espaço, por isso vale a pena lembrar. No Campeonato Brasileiro já tivemos distorções absurdas.

- Em sete oportunidades, nas edições de 1974, 1977, 1981, 1983, 1985, 1986 e 1992, o vice-campeão brasileiro acabou fazendo mais pontos que o clube que ficou com a taça. O pior aconteceu com o Atlético-MG, em 1978, e com o Internacional, nove anos depois, que mesmo fazendo mais pontos do que o campeão terminaram apenas na terceira colocação.

- Em uma oportunidade em que o vice-campeão brasileiro terminou o Brasileiro invicto. Foi em 1977, quando o Atlético-MG, em 21 jogos, conseguiu 17 vitórias e empatou em quatro. Na final, contra o São Paulo, o time, jogando no Mineirão, mesmo com a excelente campanha --aproveitamento de 90,4%--, não teve direito a nenhuma vantagem e acabou perdendo o título numa traumática decisão por pênaltis.

- Foi de 13 pontos a diferença entre o primeiro colocado, São Paulo, e o Santos, oitavo, na fase de classificação do Brasileiro de 2002. Nas quartas de final, o time santista, comandado por Emerson Leão, e com as revelações Diego e Robinho, eliminou o time do Morumbi com duas vitórias --3 a 1 (na Vila Belmiro) e 2 a 1 (no Morumbi). Embalado com a vitória sobre o melhor time do campeonato, o Santos eliminou o Grêmio nas semifinais e ficou com o título após bater o Corinthians.

- Apenas uma derrota teve o Corinthians na edição de 1993. Mesmo assim, não conseguiu chegar à decisão do torneio. O pior é que a única derrota do clube, que era comandado por Mário Sérgio, foi para o Vitória-BA, time que se classificou para a fase semifinal após vencer uma repescagem.

Talvez a grande contribuição do sistema de pontos corridos ao futebol brasileiro esteja no fato de que as equipes perceberam que só com planejamento podem conquistar o título do campeonato. Não existe a mínima possibilidade de um time ganhar o torneio sem ter um elenco bem formado, com suplentes de qualidade e um departamento médico e físico à altura.

Temos várias equipes que aproveitaram bem o período dos pontos corridos. São exemplos disso o Internacional, o Grêmio, o Atlético-MG e o Cruzeiro, que se reestruturaram e voltaram a ser protagonistas do nosso futebol. Também é sempre bom dizer que o torneio em pontos corridos valorizou a Série B, que se tornou muito mais atrativa quando também passou a usar o mesmo regulamento da primeira divisão, pois passou a premiar os times mais estruturados com o acesso.

O campeonato de pontos corridos também acabou com o mito que nós temos dez ou doze postulantes ao títulos. Isso acontecia de modo artificial no sistema de "mata-mata".

Também é temerário que com o nível de arbitragem que temos atualmente uma partida possa decidir um campeonato. Aí sim, um erro vai decidir um torneio. Já nos pontos corridos, na média, os erros são diluídos durante todo o campeonato.

Dizer que a fórmula não agradou ao público também é outra falácia. A média de público no torneio de 2002, último com mata-mata, foi de pouco mais de 13 mil pessoas. Atualmente a média é de quase 17 mil pessoas --mesmo com clubes sem grandes torcidas como Barueri e Santo André. É nítido o crescimento de assinaturas do pay-per-view e a TV, que dizem ser a maior interessada na mudança --isso não é verdade que já que vários clubes também pressionam para a mudança-- aumentou o valor dos direitos de compra do Campeonato Brasileiro.

Outra besteira dita é que o torcedor brasileiro adora finais. Pode até ser. Mas a sede de torneios "mata-mata" dos fãs já é saciada nos Campeonatos Estaduais, na Copa do Brasil e na Taça Libertadores.

Também é um mito que os pontos corridos acabam com os times que têm poder de crescer no momento decisivo. Pelo contrário, isso só aumentou, pois agora todas as partidas valem e os jogadores e os times precisam jogar cada partida como se fosse uma decisão. Muitas vezes, uma derrota na primeira rodada faz um diferença no final do torneio.

Não podemos esquecer que a volta do "mata-mata" vai complicar ainda mais o nosso calendário já que o torneio vai precisar de mais datas. Também fica inviável uma fase de classificação tão grande com 38 jogos para cada clube. Teremos casos que muitas partidas não terão o mínimo atrativo para o torcedor.
Como sempre, alguns dos nossos dirigentes pensam muito em curto prazo. Agora, por alguns milhões de reais, vão jogar fora a oportunidade de organizarem. O torneio com "mata-mata" só serve para transformar dirigentes medíocres em heróis por algum tempo.