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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Brasil abre mão de impostos para a Fifa e pode gerar mais empregos. Lá fora

Mais uma do blog do Mauro Cezar Pereira, no ESPN.com.br

O Brasil vai abrir mão de tributos para que a Copa do Mundo aqui aconteça em 2014. É um dos privilégios a serem concedidos à "Dona" Fifa, assunto que este blog já abordou — clique aqui e leia. Mas como isso acontecerá? Fomos ouvir um especialista, o consultor de impostos da IOB Consultoria das áreas tributária e jurídica Rogério Bezerra Ramos.

Ele esclarece que o propósito em situações assim é fazer "uma renúncia fiscal de vários tributos visando aumento de arrecadação em outros, girando a economia, atraindo turistas, dando prioridade a um aspecto social". Lembra que hoje já existem alguns incentivos setoriais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que concedem isenções.

Mas quais são esses impostos que (quase) todos nós pagamos e a "Dona" Fifa, assim como seus parceiros, não terão de encarar? "Tributos não cumulativos, PIS, 1,65%; Cofins, 7,6%; o que pode variar de acordo com o setor. Há ainda a não tributação do Imposto de Renda sobre o lucro da Pessoa Jurídica", enumera o consultor.

Bezerra Ramos acrescenta que a legislação tributária brasileira atinge no destino, não na origem, ou seja, tributa na importação, não na exportação. "O objetivo é criar estímulos para que se produza aqui e gere empregos. Mas dependendo do item não vale a pena instalar empresa ou uma estrutura específica no Brasil e então se pode estimular alíquota zero para importação".

Aí está o ponto. Como a Fifa tem liberdade de escolha dos parceiros comerciais, poderá ocorrer a isenção de tributos a produtos feitos em outros países. Se, por exemplo, uma bola com as especificações da entidade só for confeccionada no Laos, na Alemanha ou no Camboja, a empresa associada à Fifa poderá vendê-la aqui sem pagar determinadas taxas.

Em resumo: produtos feitos lá fora seriam comercializados no mercado brasileiro a preços muito inferiores, graças à renúncia fiscal, e sem gerar empregos no Brasil. E é bom lembrar: a Fifa decidirá isso. "Não podemos favorecer a importação em detrimento à geração de empregos", adverte o consultor da IOB.

Para Rogério Bezerra Ramos, esta é uma situação bem delicada, pois alguma renúncia fiscal terá de ocorrer. "Este foi um daqueles acordos internacionais nos quais o presidente da República assume um compromisso e ele o leva para o país. Alguns podem questionar e achar que ele aceitou exigências demais, surgem detalhes a serem alinhados no Congresso, etc".

Quando uma montadora de automóveis recebe isenção fiscal para se instalar numa determinada região, ela obrigatoriamente terá que gerar empregos diretos e indiretos, pois contratará funcionários e seus fornecedores de peças e demais itens farão o mesmo. Não há como trazer milhares de cambojanos, alemães ou laosianos para cá. Serão, em sua maioria, empregados brasileiros. É o que sustenta tais medidas generosas para com os novos investidores.

No caso da Copa do Mundo não há garantia de que mais ou menos empregos sejam gerados a partir desta, digamos, generosidade tributária. Certamente determinado número de novas frentes de trabalho virá, mas se alcançará patamares elevados, envolvendo números compatíveis com a renúncia fiscal da União, só o tempo dirá. Aliás, só a "Dona" Fifa dirá.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ah, se essa norma chegasse o futebol sulamericano...

 Do site ESPN.com.br com Agência GE

Por déficit, Manchester City e Chelsea podem ser excluídos de competições



Embora com elencos estrelados e salários astronômicos, Manchester City e Chelsea podem ver todo seu esforço dentro ou fora de campo ir por água abaixo. Isso porque a Uefa cogita excluir as duas equipes de suas competições, entre elas a Liga dos Campeões e a Liga Europa, devido ao altíssimo déficit.

Propriedades de magnatas, ambos os times têm muita verba para contratações e contratos, uma vez que os bilionários Roman Abramovich (Chelsea) e o xeque Mansour bin Zayed Al-Nahyan (City) despejam do próprio bolso para que seus clubes desproporcionalmente fiquem fortes em termos financeiros.

No entanto, uma regra aprovada pela Uefa tenta impedir que os clubes atuem com o caixa no vermelho, caso dos dois ingleses. A medida, chamada de "Fair Play financeiro", será definitivamente implementada na entidade europeia na temporada 2013/2014. O prazo extenso é para que as equipes já se adaptem à nova realidade e não sejam punidas.

"Se um clube consegue muito dinheiro ou subsídios e ainda está em déficit dois anos depois, há um problema. Isto é algo que queremos evitar", afirmou Platini quando a regra estava para ser aprovada.

Com o risco de punição, tanto Chelsea quanto Manchester City terão que se transformarem em altamente lucrativos e "zerarem" seus déficits. O problema é que, juntos, as duas equipes fecharam o ano comercial de 2009 com uma negativa de 130 milhões de libras (aproximadamente R$ 350 milhões).

Destas cifras deficitárias, R$ 257 milhões foram do clube de Manchester, que -financiado pelo sheik Mansour, que comprou o clube em 2009 - gastou com as contratações de Robinho, Bellamy, Shay Given e Nigel de Jong. Isso porque as chegadas de Tevez, Barry, Santa Cruz, Touré, Lescott e Adebayor ainda estão para ser contabilizadas.

O déficit dos Citizens quase bateu o recorde inglês, que ainda é justamente do Chelsea. Comprado por Roman Abramovich em 2003, o clube londrino apresentou cifras negativas de impressionantes R$ 391 milhões na temporada 2004/2005. Apenas para efeito comparativo, o valor mostrado pelos Blues é superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da Ilha de São Tomé e Príncipe (cerca de R$ 305 milhões), uma pequena ilha no Oceano Atlântico.


Espero que essa nova norma realmente seja colocada em prática, e sirva de exemplo para outras federações e confederações pelo mundo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

FIFA e BRASIl, sobre a COPA 2014

Do blog do Mauro Cézar Pereira, no espn.com.br


Está no site Congresso em Foco: "Zero de impostos para Fifa na Copa de 2014" — clique aqui e leia. A nova facada nos cofres públicos e no bolso do contribuinte com pretexto futebolístico foi anunciada segunda-feira pelo site do Ministério do Esporte, que ressaltou: "A isenção tributária é uma das 11 garantias governamentais oferecidas pelo governo federal para cumprir as exigências da Fifa para a realização da Copa do Mundo no Brasil".

Sim, sim, muito bonito. A "Dona" Fifa traz seu evento para o Brasil e impõe condições. E elas não são poucas. Em meio a todas exigências, a de que o Brasil abra mão de tributos. Com isso, não só a entidade internacional como seus parceiros comerciais terão absoluta isenção por conta do Mundial de Futebol em 2014. Mais patético ainda é que não foi a Fifa quem apresentou um pedido nesse sentido, mas o governo brasileiro tenta convencê-la.

Assim, o projeto detalhando o "presente" foi apresentado ao ilustríssimo secretário-geral Jerome Valcke, pelo homem que mais troféus e medalhas entrega no país. Ele mesmo, o ministro do Esporte, Orlando Silva. O site acrescenta que o texto a ser enviado ao Congresso em fevereiro ainda sofrerá ajustes por parte da Fifa. Sim, senhoras e senhores, a toda poderosa do futebol ainda vai alterar o que achar necessário.

A notícia publicada pelo Congresso em Foco tem trechos ainda mais estarrecedores: "(Orlando) Silva, o secretário-executivo da Fazenda, Nelson Machado, o secretário de Futebol do Ministério do Esporte, Alcino Rocha, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, membros da Casa Civil e de outros órgãos do governo esperavam pela aprovação da entidade que rege o futebol. Apesar da instituição ter gostado do que viu, ainda pediu um tempo para analisar a matéria".

Observe bem o detalhe: a Fifa exige isenção de impostos. O governo assegura que dará. Para isso apresenta um projeto à entidade e ela, a "dona" do futebol, pede para analisar e ver se está ok. Demais, não? Soberania nacional é lixo perto das exigências desses cartolas. E nem estamos falando de outras aberrações em nome da Copa 2014, como os estádios bancados pelo dinheiro público e suas cifras astronômicas, como R$ 500 milhões pela (mais uma) reforma do Maracanã.

O resumo da ópera? Voltemos ao Congresso em Foco: "A Fifa terá a isenção de impostos como PIS e Cofins, que incidem sobre faturamento; Imposto de Renda; contribuição previdenciária do empregador; IOF e imposto de importação, entre outros".

Em outubro o site mostrou a saia justa entre as pastas do Esporte e da Fazenda. Orlando Silva e seus Blue Caps queriam atender a todas as exigências. Já o ministério de Guido Mantega pretendia um meio-termo, "como foi na Copa da Alemanha". O Congresso em Foco acrescenta que, ao final, prevaleceu o que acontecerá este ano na África do Sul: 100% de isenção.

Fifa e parceiros estarão livres de impostos de janeiro do ano que vem até o fim de 2015! E a Copa terminará em julho de 2014. Claro que políticos e dirigentes têm várias desculpas para isso. Como contribuinte e cidadão, você as engole se quiser. Acha que acabou? Tem mais: a entidade cobra garantias de proteção às suas marcas. Ou seja, quer se livrar da pirataria, algo que, na prática, ninguém consegue.

Satisfeito? Calma, ainda tem mais. Outra exigência é a fácil concessão de vistos de trabalho temporários, de imigração etc. Ela será dada. Assim, se Osama Bin Laden for amigo dos cartolas, quem sabe ele não aparece para ver a Copa?!


 Acha que acabou? em breve novas notícias de como nós, e somente nós, contribuintes, pagaremos pela COPA 2014, provavelmente sem boa parte do retorno prometido.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Obras da COPA 2014 servirão como instrumento de inclusão social

Iniciativa sensacional para inclusão social de ex-presidiários. Será que estamos vivendo um momento histórico, em que as pessoas que devem cuidar do bem-estar da população realmente estão fazendo isso?

Do site da ESPN Brasil

Ex-presidiários vão trabalhar em obras de estádios para 2014

O comitê organizador da Copa do Mundo de 2014, a ser realizada no Brasil, assinou nesta terça-feira um acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que ex-presidiários trabalhem na construção ou reforma dos 12 estádios que sediarão jogos da competição.

O acordo foi assinado pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, em cerimônia realizada no Rio de Janeiro.

O programa, que tem como objetivo a reinserção dos presos na sociedade, pedirá às empresas do setor de construção que reservem uma parte dos postos de trabalho para ex-presidiários que estejam com situação resolvida na Justiça.

"Não obrigaremos ninguém a isso, mas tenho certeza de que as empresas atenderão a solicitação do comitê", afirmou Ricardo Teixeira a jornalistas após a cerimônia.

O dirigente destacou que o Mundial criará milhares de empregos que servirão como "porta de saída para quem se perdeu no caminho" e considerou que o programa servirá para "materializar o conceito de Justiça cega e independente".

Gilmar Mendes revelou que a iniciativa partiu do secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, durante uma visita a Brasília ano passado, durante o Mundial de futsal.

Valcke conheceu o programa brasileiro de reinserção "Começar de novo" e viu a oportunidade de aplicá-lo na organização do Mundial, segundo o presidente do Supremo. Além de oferecer emprego aos ex-presidiários na construção civil, o programa prevê o oferecimento de cursos de formação profissional nas penitenciárias.

O "Começar de novo" é parte de um programa mais amplo do CNJ para estudar a situação penal dos condenados e facilitar a reinserção daqueles que estão na cadeia por crimes que não cometeram - situação de 30% dos 450 mil presos do Brasil, segundo dados do conselho.

Desde o início da campanha, em agosto de 2008, foi revista a situação de 68 mil pessoas, com 12 mil colocados em liberdade e outros 8 mil obtendo benefícios como a redução da pena.